terça-feira, 9 de junho de 2009

PL 29 Continua Péssima! ou Eu quero meu Partido Pirata!

Fiquei extremamente decepcionado com o projeto de lei sobre TV por assinatura. Acreditar que cotas de programação vão incentivar a cultura é esquecer totalmente o que foi feito no governo militar, é repetir uma formula falida que só vai trazer transtorno e prejuízos para a industria como um todo.

Fiquei admirado em ver gente que eu considerava forças políticas coerentes defendendo idéias estúpidas e contra nosso povo. A tal PL 29 tá amarrada a meses e meses, e não está ficando melhor... Pelo contrario ta piorando muito dizer que "serviços audiovisuais na internet devem ser sujeitos à autorização da Anatel" é uma das idéias mais retrogradas e idiotias que eu ja vi na vida.

Cotas e regulamentação excessiva vão limitar a escolha e impedir o crescimento da oferta e da concorrência, em ultima analise, prejudicando o consumidor e favorecendo os grandes monopólios nacionais de comunicação.

Estamos caminhando para um mundo de super oferta de conteúdo onde a tecnologia permite a criação de um número praticamente ilimitado de canais e onde qualquer um com um equipamento bem barato pode fazer um filme ou um programa. Qualquer empresa pode oferecer ofertas segmentadas para todos os gostos. Querer colocar cotas é o mesmo que impedir a criação, ou melhor, o acesso ao conteúdo vasto que existe.

Trabalhei numa empresa que vende musica pela internet. Obviamente o conteúdo nacional está entre os mais procurados, mas o nosso catalogo era vasto e por uma simples questão numérica o catalogo tem mais estrangeiros que Brasileiros. Nunca recusamos nenhum conteúdo mas simplesmente existe mais gente produzindo musica fora do Brasil do que no Brasil. Se tivéssemos um quota, qualquer que fosse, o conteúdo só diminuiria porque tínhamos todo conteúdo nacional possível. Os seja, os prejudicados seriam provavelmente os compositores chineses ou africanos que estão hoje no catalogo mas tem menos vendas que os demais. Eles teriam que ser removidos para nos enquadrarmos nas cotas, sem qualquer contrapartida positiva para os clientes. O custo do armazenamento é ridículo e não existe uma boa razão para limitarmos a oferta de conteúdo.

Exatamente como o catálogo de música tem potencial para serem ilimitados, é para isso que a indústria do vídeo está caminhando. Video on demand, qualquer programa, na hora que o consumidor quiser. Ou um numero praticamente ilimitado de canais digitais... Limitado apenas pela audiência e escolha do consumidor e não pela tecnologia.

Todos teriam acesso a divulgar seus programas. Regular isso é tão idiota quanto regular a oferta de conteúdo na internet ou arbitrariamente limitar o acesso aos pequenos. Ou seja, é a coisa mais antidemocrática a fazer. Sugiro que todos os deputados leiam mais sobre a nova industria de conteúdo que está surgindo. Leiam Livros como "Long Tail" e "Free". O que os bons produtores precisam é de menos impostos e mais incentivos a produção. Canais de distribuição não é um problema.

Alguém realmente acredita que faltam canais para exibir programas nacionais? Se acha que falta canais crie novos canais e não atrapalhe a diversidade tão rica que a TV pode se tornar. É o mesmo que dizer que tem poucos sites em português na internet, portanto temos que limitar o acesso aos sites estrangeiros... Não tem lógica é uma dialética estúpida.

O que acho mais triste é que o Brasil tem tanto partidos políticos, mas todos estão ficando cada dia mais parecidos, não há quem defenda idéias. Todos abraçam uma demagogia, oportunística e irracional.

Todos os partidos aumentam impostos, todos aumentam o tamanho do estado, todos criam políticas excessivamente regulatórias, todos querem regular a vida privada e a escolha dos cidadãos como se fossem o pai repressor da população. Como se fossemos crianças sem discernimento para escolher nossas amizades, programas de TV, jogos eletrônicos ou fontes de informação...

Eu votava nos partidos de centro-esquerda porque era a favor da liberdade e a favor de políticas sociais responsáveis, agora a esquerda virou governo e faz o mesmo que a direita fazia... Paternalismo e defesa dos oligopólios nacionais...

Esquerda e direita deixaram de fazer sentido, eu cheguei a pensar em mudar pro lado oposto da moeda, votar em algum "Republicano" que quisesse baixar impostos e desregulamentar a economia. Todos sabem que o Brasil precisa de um pouco disso no momento... Porém nem tenho essa opção... A direita Brasileira também aumenta impostos e cria regras protecionistas sem sentido (Acho que todos devem lembrar-se das leis de reserva no mercado de informática e o atraso que esse período trouxe para o Brasil)...

O que eu faço??? Quero um Partido Pirata no Brasil!

Techcruch vs New Your Times

Ler sobre a briga entre a Techcrunch e o NYT me fez rir bastante. É muito engraçado ver um dos blogs mais famosos do nosso meio reclamar da pratica jornalista mais comum do mundo. Sendo que ele se sentiu injustiçado pelo New York Times um dos jornais mais respeitados do mundo... hehehe

Quero deixar claro que não dou razão para nenhum dos dois. Na verdade, ambos estão errados e ambos estão certos... Ambos fazem exatamente aquilo que dizem que o outro faz.

Já trabalhei em jornal e nunca vi um jornalista sem opinião. O que o NYT fez é o mais comum, e é exatamente como um jornal funciona. Primeiro se decide sobre o que se quer escrever ou qual a pauta do dia. Depois ele sai para procurar alguém que corrobore e confirme o que ele quer falar... Procura-se até achar ou simplesmente só escuta-se a parte da entrevista que se quer ouvir.

Eu não sei se isso são ossos do ofício... Se já está implícito no funcionamento do jornal ou se são apenas humanos... Provavelmente todas essas razões.

De fato a única lição que podemos tirar disso é o que eu aprendi trabalhando como Analista de Sistemas num Jornal, observando como os jornalistas trabalhavam, dando entrevistas ou pareceres técnicos... Não existem mídias ou jornalistas imparciais. Todos mundo tem opinião e gosta de estar certo.

O melhor que você, ou eu, leitores podemos fazer é ler varias fontes e formar nossa própria opinião. Descartar os mais toscos, os mentirosos ou aqueles que nem se preocupam em defender suas idéias com uma argumentação coerente. Tentar ler opiniões de quem entende do assunto e não de celebridades que gostam de falar sobre tudo... Bom jornalista não é quem não tem opinião mas quem não mente sobre ela, nesse ponto o Techcrunsh não pode reclamar, a opinião do NYT sobre os blogueiros já estava feita e clara muito antes dele escrever essa matéria, ele que foi inocente de achar que o NYT seria muito diferente dele mesmo, só porque ouviu ele antes de escrever.

Achar que o NYT está sempre certo ou verifica totalmente sua fontes é ilusão, achar que um blog que é obrigatoriamente menos confiável é acreditar que papel tem juízo critico ou não aceita que escrevam mentira.